 |
VOCÊ JÁ SORRIU
HOJE?
Especialistas
comentam a importância do bom
humor no ambiente de trabalho
Por Clarissa
Janini
Tornar
o ambiente de trabalho tão agradável
como qualquer outro é o que
nove entre dez especialistas
da área de recursos humanos
e motivação organizacional proferem
na atualidade. Mas como cultivar
o bom humor se as condições
de trabalho e os colegas nem
sempre são os mais satisfatórios?
O bom humor
no trabalho não só torna as
relações interpessoais mais
agradáveis, como também "melhora
a produtividade, ameniza pressões
e o estresse", segundo José
Tolovi Júnior, presidente do
Great Place to Work Institute.
Para ele, identificar um profissional
bem ou mal humorado começa já
no processo de seleção. "Dá
para perceber qual é o gênio
da pessoa logo na conversa.
Infelizmente, muitas empresas
ainda levam mais em conta a
parte técnica da pessoa, sem
dar muita importância para a
personalidade. Mais tarde, o
perfil do profissional pode
não casar com o estilo da empresa,
gerando conflitos".
"O bom
humor estimula a produção de
hormônios responsáveis pela
sensação de prazer", segundo
Denise Manfredi, da Business
School São Paulo. Ela também
diz que "bom humor não se fabrica,
mas pode ser melhorado com treinamentos
e auto-conhecimento". Mesmo
assim, ela explica que existe
um limite entre o bom humor
construtivo e o destrutivo.
"O sarcasmo e o preconceito
podem vir disfarçados em forma
de brincadeiras aparentemente
inocentes. O líder deve ter
a percepção em manifestações
preconceituosas e tomar as devidas
atitudes".
Lidando
com o mau humor
De
acordo com Denise, quando surgiu
o boom da gestão participativa
nas empresas - em que os colaboradores
possuem certa autonomia em relação
à liderança - gerou-se também
o conflito de o líder sentir,
de certa maneira, sua autoridade
ameaçada. "Empresas horizontais
estimulam mais questionamentos
e requerem maior auto-conhecimento
corporativo". Encontrar a harmonia
entre as relações pessoais no
trabalho nem sempre é fácil.
"O mal
humorado pode ser uma tragédia,
de acordo com o cargo da pessoa",
afirma o consultor Sérgio Becker.
Ele diz que pessoas com esse
tipo de personalidade são uma
âncora para a empresa, pois
não vão para frente e impedem
os outros de evoluir. Ele dá
algumas dicas de como identificá-los:
"o mal humorado não celebra
vitórias, não ri, não é criativo,
não agrega, gosta de chamar
a atenção, é conformado, quadrado,
auto-referente, previsível,
mistura pessoal com profissional,
é simpático, mas não empático".
Ele ainda revela um dado interessante
de uma pesquisa realizada por
sua consultoria, a Becker Motivação
e Mudança. "Em todos os treinamentos
motivacionais que já fizemos,
cerca de 75% dos profissionais
conseguiram alguma melhora.
O resto é do tipo que não muda,
tem feedback negativo e não
quer enxergar seus pontos fracos.
Digo que essas pessoas são 'muito
abertas ao monólogo'".
E o que
fazer quando se é preciso lidar
com esse tipo de profissional?
De acordo com os entrevistados,
se você não puder mudar de emprego,
tenha o mínimo contato possível
com o mal humorado. "Se a pessoa
é excepcional tecnicamente e
não pode ser dispensada, recomendo
a 'blindagem corporativa'",
diz Becker. Para Denise, nesses
casos você deve se relacionar
apenas profissionalmente, deixando
o lado pessoal de fora. "Ou
você aprende a lidar com isso
ou é melhor sair da empresa".
|