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DISTÚRBIOS DA VOZ DEVEM SE TORNAR DOENÇA DO TRABALHO COMO A LER
(Regiane Monteiro)

Professores e profissionais da área de telemarketing são os mais atingidos pelas alterações. Especialistas querem cobertura do INSS para o problema depois das lesões por esforços repetitivos (LER), os distúrbios da voz devem entrar para a lista de doenças provocadas por esforços exagerados ou inadequações no ambiente de trabalho. (Os mais atingidos pelas disfonias qualquer dificuldade na emissão vocal que impeça a produção natural da voz) são os professores e, atualmente, também os profissionais da área de telemarketing.

A situação é tão séria que o Centro de Referência em (Saúde do Trabalhador Ceret), órgão ligado à Secretaria do Estado da Saúde, elaborou uma norma técnica para que trabalhadores com distúrbios da voz tenham os mesmos benefícios dados aos profissionais atingidos por outras doenças ocupacionais. O documento contou com a colaboração de representantes do próprio INSS.

Se aceita pelo Ministério da Saúde, a norma vai provocar uma série de mudanças nas empresas. Isso porque, assim como no caso das tendinites, serão necessárias mudanças no ambiente de trabalho para evitar que esses profissionais sofram com os distúrbios da voz. "Existem fatores organizacionais que podem levar às disfonias", explica a fonoaudióloga Alice Penna, professora e coordenadora dos cursos de audiologia e saúde do Centro de Especialização em Fonoaudióloga Clínica (Cefac).

Entre as principais estão o ar condicionado desregulado, ambientes com excesso de ruídos (defeitos no sistema de telefonia que levam o profissional de telemarketing a falar gritando no telefone, por exemplo), giz (que provoca alergias nos professores e já é substituído em muitas escolas por canetas especiais), falta de tempo para que o trabalhador faça uma hidratação adequada e descanse (profissionais que dependem da voz para trabalhar devem ficar em silêncio de 5 a 10 minutos por hora e tomar seis copos de água por dia).

"Hoje, se um profissional é afastado por mais de 15 dias por problemas com a voz recebe um auxílio doença comum", explica Alice. "Se o distúrbio da voz se tornar uma doença ocupacional, ele vai receber 50% do seu salário de contribuição pelo INSS", completa. Estudos recentes mostram, por exemplo, que 79% dos professores apresentam queixas relacionadas com problemas provocados. na voz. Como não é classificado como doença ocupacional, os dados sobre profissionais que sofrem com distúrbios da voz são subdiagnosticados. "Não temos mecanismos para controle público de notificação dessas doenças", avalia Alice. "Isso pode mudar com a inclusão como doença ocupacional", conclui.

Matéria publicada em 27/04 pelo Jornal Diário de São Paulo